Energia Nuclearpor que o urânio brasileiro precisa sair do país antes de virar combustível?

Um pó, um gás

O urânio que sai de Caetité é um pó: concentrado de urânio, U₃O₈, o chamado yellowcake. Para ser enriquecido, ele precisa estar em forma de gás. Entre o pó e o gás existe uma etapa industrial — a conversão — e ela não acontece em território brasileiro.

"A conversão é a única etapa do ciclo do combustível nuclear que a INB não realiza", registrou a empresa ao anunciar, em 11 de março de 2025, o contrato para fazer essa etapa fora1. É uma frase sobre a empresa, não sobre o país: o que ela afirma é que a Indústrias Nucleares do Brasil não opera a etapa, e nenhuma fonte do acervo estende isso ao Brasil inteiro.

Esta página faz três coisas: explica o que a conversão faz, diz quem faz no mundo com a precisão que as fontes permitem, e reúne o que existe de registro sobre a planta que o Brasil já teve em escala experimental — e sobre o projeto, anunciado três vezes em cinco anos, de voltar a ter uma em escala industrial.

O que a conversão faz

Não é uma etapa que transforma o urânio em outra coisa. É uma etapa que muda o estado físico dele — e limpa o caminho para o enriquecimento.

Na descrição da própria INB, o concentrado "é dissolvido e purificado, e então convertido para o estado gasoso, o hexafluoreto de urânio (UF6), e é somente em forma de gás que ele pode ser enriquecido"1. O detalhe que quase sempre se perde está na sequência: o UF6 que sai de uma planta de conversão continua com os 0,7% de U-235 do urânio natural. A conversão não aumenta nada. Ela só põe o material na condição física em que outra etapa consegue separar isótopos2.

O estudo de ciclo de vida da UNECE descreve a rota industrial: dissolução em ácido nítrico, extração com solvente, lavagem, concentração por evaporação, calcinação para obter trióxido ou dióxido de urânio, reação do dióxido com fluoreto de hidrogênio gasoso para produzir tetrafluoreto (UF₄) e, por fim, reação com flúor gasoso para produzir o hexafluoreto. É química de planta química, com consumo por quilo de produto2.

Insumos para produzir 1 kg de UF6 não enriquecido — modelo de ciclo de vida da UNECE
InsumoPor kg de UF6
Urânio em concentrado1,04 kg
Eletricidade11,8 kWh
Calor26 MJ
Fluoreto de hidrogênio0,59 kg
Ácido nítrico0,9 kg
Água500 kg

O gás é conveniente por uma razão física simples: o hexafluoreto sublima a 56 °C, temperatura branda o bastante para manipular o material como gás estável2. A INB diz o mesmo em outras palavras: é um composto que "passa para o estado gasoso em baixas temperaturas"3.

Um dado ajuda a ver o tamanho do buraco na cadeia: a etapa vizinha, a reconversão — que pega o UF6 já enriquecido e o devolve ao estado sólido, como pó de UO₂ — essa o Brasil faz, em Resende, com capacidade instalada declarada de 160 toneladas por ano4. A vizinha da frente e a vizinha de trás da conversão são brasileiras; ela, não.

Quem faz no mundo

A resposta honesta começa pelo que não existe: nenhum censo de plantas de conversão foi localizado neste acervo.

O Red Book 2024, a referência internacional do setor, publica recursos, produção de concentrado e capacidade de enriquecimento — mas não publica tabela de capacidade mundial de conversão. O que existe de mais explícito no acervo é uma frase do estudo da UNECE, em seção que descreve o ciclo de vida do combustível: o mercado global de conversão é dividido entre poucos sítios, e o estudo assume que todas as plantas do modelo são abastecidas por esse mercado, composto por CNNC (China), Rosatom (Rússia), Cameco (Canadá) e Orano (França); uma quinta empresa, a ConverDyn, representaria 12% da capacidade global, mas está parada há vários anos. O próprio estudo declara que não publica as cotas exatas, por confidencialidade5.

Dois registros reforçam a concentração sem resolver a conta. A INB afirma, no relatório de gestão de 2025, que a Rússia detém parcela relevante da capacidade global de conversão e enriquecimento, o que gera dependências estratégicas especialmente na Europa6. E o relatório anterior da mesma empresa registra que o boicote às instalações russas de conversão e enriquecimento produziu escassez de UF6 natural e de UF6 enriquecido, e levou à retomada de projetos de conversão nos Estados Unidos6. Nenhum dos dois traz percentual.

O que as fontes mostram, com clareza, é outra coisa: ter a mina não implica converter o minério. O relatório nacional do Níger no Red Book registra que o concentrado do país é exportado para a planta de Malvési, na França, onde é convertido7. A Finlândia contrata da TVEL um pacote único — conversão, enriquecimento e fabricação, entregues prontos. A Bulgária nem isso: compra o elemento combustível acabado, sem contratar etapas avulsas7.

Nada nesta seção é uma lista de países que convertem urânio. Nenhuma fonte consultada publica esse censo, e este site não o deduz de lista de fornecedores.

O que o Brasil manda fazer fora

Um contrato, um prazo, um percentual de enriquecimento — e uma lista de coisas que o documento disponível não diz.

Em 11 de março de 2025, a INB anunciou contrato com a Internexco GmbH, do grupo Rosatom, para exportação temporária de até 275.000 quilos de concentrado de urânio produzido em Caetité, com processamento no exterior em duas etapas — conversão e enriquecimento — e devolução do material como UF6 enriquecido a 4,25% até dezembro de 2027, destinado à fabricação do combustível da central de Angra dos Reis8. A contratação veio de licitação internacional, pelo critério de menor preço global, com pré-requisitos técnicos.

O que o comunicado não publica tem tamanho: valor do contrato, quantidade efetivamente remetida, em que instalação o processamento físico acontece, unidades de trabalho separativo contratadas, e se o material cobre a recarga de Angra 1, de Angra 2 ou das duas. E há o embarque. Na data do anúncio, o transporte marítimo do porto de Salvador até a Rússia estava "sendo contratado" — declaração do presidente da empresa no próprio comunicado. Não existe, no acervo, documento público de que o navio tenha saído, e este site não narra a partida como fato consumado8.

Quanto serviço de conversão o país precisa? A resposta mais concreta disponível no acervo é uma tabela do relatório integrado de 2021 da INB, que calcula a necessidade por recarga anual em quilogramas de urânio na forma de UF6: 148.374 para Angra 1, 244.782 para Angra 2, 230.351 para Angra 3, num total de 623.5079. São premissas de empresa, e a tabela declara as suas — recarga de número 27 em Angra 1, 17 em Angra 2, média de contrato de longo prazo em Angra 3, com o descomissionamento de Angra 1 então previsto para 2022. Não é medição, e Angra 3 não existe.

O mesmo relatório tem um segundo registro, e ele muda o tamanho do problema: a conversão "compreende o segmento com menor participação no custo total de fabricação do ciclo do elemento combustível"9. A etapa que falta, no documento de quem deveria construí-la, é a mais barata da cadeia. O argumento para nacionalizá-la não é de custo — é de controle sobre uma etapa que ninguém opera no país.

O que o registro histórico diz — e o que não diz

O Brasil já converteu urânio em escala experimental. As fontes registram o fato e atribuem o fim a um motivo interno.

No início dos anos 1980, segundo o dossiê do Wilson Center sobre as origens e a evolução do programa nuclear brasileiro, o país dominava duas tecnologias-chave, e uma delas era justamente a conversão do yellowcake em hexafluoreto de urânio adequado ao enriquecimento — obtida graças a uma planta experimental instalada no Instituto de Pesquisas Nucleares, o IPEN, em São Paulo10. "Experimental" é a palavra da fonte: o texto não descreve planta industrial, nem dá capacidade, nem dá data.

O fim vem atribuído a outra coisa. O mesmo dossiê registra que o programa nuclear brasileiro desacelerou com a crise econômica que afetou o país nos anos 1980 e 1990, e que a economia fraca contribuiu para o fechamento da planta de conversão de UF6 e para a suspensão da construção de duas usinas10. A fonte diz "contribuiu", no sentido de causa entre outras. Não atribui o fechamento a pressão externa, e não dá o ano.

E a pressão externa, onde entra? Nos dois documentos históricos do acervo, ela aparece sobre outras etapas. O verbete da FGV sobre o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha de 1975 registra que o acordo previa em princípio transferência de tecnologia para todas as fases do ciclo, mas a lista operacional de cooperação é outra: prospecção, mineração e processamento de minério; engenharia nuclear e equipamentos pesados; serviços de enriquecimento pelo jato centrífugo; fabricação de combustíveis nucleares; e reprocessamento químico do combustível usado. Conversão não é itemizada na lista. E as pressões norte-americanas, documentadas no mesmo verbete, se voltaram contra a tecnologia de enriquecimento e a de reprocessamento — "nem a Alemanha nem o Brasil cederam"11. O ensaio do Wilson Center sobre o mesmo acordo tem o mesmo recorte: menciona enriquecimento e reprocessamento como os itens contestados11.

Resultado: as fontes sustentam que houve planta experimental, que ela fechou num contexto de crise econômica, e que a conversa internacional dos anos 1970 e 1980 girou em torno de enriquecimento e reprocessamento. Nenhuma delas explica por que a conversão nunca virou indústria brasileira. Esta página não preenche esse vazio.

O projeto que reaparece

Três relatórios de gestão, em quatro anos, dizem que a planta vem. Nenhum diz com quanto, até quando, ou em que fase está.

Em 2021, o relatório integrado da INB registrava que, com a expansão da capacidade de enriquecimento, "será estrategicamente importante a instalação de uma Fábrica de Conversão nacional"9. Em 2024, o relatório de gestão abriu uma seção chamada "Nacionalização da conversão" para dizer que, "em função de sua importância estratégica", a empresa "prioriza o projeto para a implantação de uma planta na unidade de Resende, no Rio de Janeiro", com o objetivo de reduzir dependências externas nas etapas críticas do ciclo12. Em 2025, o rodapé de três da apresentação mudou o verbo: a INB "está em processo de implantação da FCN – Conversão, em Resende (RJ), para nacionalizar essa etapa"1.

O que não aparece em nenhum dos três: capacidade prevista, valor de investimento, prazo de conclusão, fase de licenciamento ambiental ou número de licitação. A matriz de segmento de negócio do relatório de 2024 relaciona as capacidades declaradas da empresa, de mineração a montagem de elementos, e não inclui conversão; a relação de endereços da empresa no relatório de 2025 descreve as unidades de Resende sem incluir uma unidade de conversão em operação12. É declaração de intenção institucional repetida em três documentos de prestação de contas, não projeto dimensionado e publicado.

Material de divulgação deste projeto já circulou com a frase "não há projeto público em andamento". Ela está desatualizada: há, sim, declaração institucional de projeto, repetida em 2021, 2024 e 2025. O que não há é projeto com capacidade, custo e prazo publicados — e a distinção é o ponto desta página.

A etapa que falta, em uma frase

De todas as etapas do ciclo do combustível nuclear, a conversão é a que o Brasil não faz, a que a própria INB descreve como a de menor peso no custo da cadeia, e a única sobre a qual a empresa anuncia desde 2021 uma planta sem publicar tamanho, custo nem prazo.

Fontes

  1. A etapa que a INB não realiza. INB, notícia "INB fecha contrato com empresa russa para conversão e enriquecimento de urânio", 11 de março de 2025: "a conversão é a única etapa do ciclo do combustível nuclear que a INB não realiza", e a definição do processo nessa mesma peça ("um composto que tem como propriedade passar para o estado gasoso em baixas temperaturas. Na forma de gás é realizada a etapa de enriquecimento"). INB, página institucional "Ciclo do combustível nuclear" (consulta de 26/08/2026, sem data-base): "Conversão – o concentrado de urânio é dissolvido e purificado, e então convertido para o estado gasoso, o hexafluoreto de urânio (UF6), e é somente em forma de gás que ele pode ser enriquecido [...] Esta etapa ainda não é realizada no Brasil." INB, Relatório de Gestão Integrado 2025, rodapé 3 da p. 9: "A INB não realiza a etapa de conversão do urânio em território nacional. O yellowcake (concentrado de urânio) produzido em Caetité (BA) é enviado ao exterior para ser convertido em hexafluoreto de urânio (UF6). No entanto, a INB está em processo de implantação da FCN – Conversão, em Resende (RJ), para nacionalizar essa etapa." Todas as formulações são da mesma empresa e recortam a INB, não o país: nenhuma fonte do acervo afirma que seja a única dependência externa brasileira em toda a cadeia. Voltar
  2. A rota química e o que a conversão não faz. UNECE, Carbon Neutrality in the UNECE Region: Integrated Life-cycle Assessment of Electricity Sources, 2022, Seção 7.3.2, p. 83: descreve a série de processos que produz UF6 a partir do yellowcake — dissolução em ácido nítrico, extração com solvente, lavagem, concentração por evaporação, calcinação a trióxido ou dióxido de urânio, reação com fluoreto de hidrogênio gasoso para formar UF₄ e reação final com flúor gasoso para formar UF6 — e registra que "nesse ponto, o urânio ainda é composto de cerca de 0,7% de ²³⁵U". A mesma seção informa que o UF6 sublima a 56 °C. O texto também explica a preferência pelo estado gasoso ("manipular gases é mais fácil para o enriquecimento") e descreve a separação por centrífugas e por difusão gasosa, esta última abandonada globalmente em 2013. Voltar
  3. Insumos por quilo de UF6. UNECE, Tabela 21 ("Inputs for conversion, per kg UF6 non-enriched"), p. 84: 1,04 kg de urânio em concentrado, 11,8 kWh de eletricidade, 26 MJ de calor, 0,59 kg de fluoreto de hidrogênio, 0,9 kg de ácido nítrico e 500 kg de água. São parâmetros de modelo de ciclo de vida, com média global por volta de 2016–2020, misto de base ecoinvent 3.7 e consulta à World Nuclear Association — não medição de uma planta determinada. A formulação qualitativa da INB sobre o estado gasoso está no Relatório Integrado 2021, p. 36, e no comunicado de março de 2025. Voltar
  4. A reconversão, etapa brasileira. INB, Relatório de Gestão 2024, p. 15 e p. 16, seção que descreve as etapas: "Etapa 4 — Reconversão do UF6 em pó de UO2 [...] Esta planta industrial possui a capacidade instalada de 160 toneladas por ano, o que permite suprir a demanda total das usinas de Angra 1 e 2". Confirmação no Relatório de Gestão Integrado 2025, p. 9 (matriz de segmento de negócio: produção de pó de dióxido de urânio, 160 t/ano) e p. 55 (unidade "FCN – Reconversão" em Resende); e na página institucional "Ciclo do combustível nuclear": "o gás enriquecido é reconvertido em pó de dióxido de urânio (UO₂). Esta etapa é realizada na Fábrica de Combustível Nuclear da INB em Resende/RJ". Capacidade declarada, não produção. A figura que acompanha a página do ciclo tem marca temporal de 2016. Voltar
  5. Quem fornece serviço de conversão no mundo. UNECE, Seção 7.3.2, p. 83: o mercado global de conversão é dividido entre poucos sítios, e o estudo assume que todas as plantas do modelo são abastecidas por ele, citando CNNC (China), Rosatom (Rússia), Cameco (Canadá) e Orano (França); ConverDyn representaria 12% da capacidade global, mas está parada há vários anos; as cotas exatas não são publicadas por confidencialidade. A nota da fonte remete a World Nuclear Association, "Conversion and Deconversion", 2020, relatório não arquivado neste acervo. Não existe no acervo tabela de capacidade mundial de conversão em toneladas de urânio por hora ou ano: o Red Book 2024 publica recursos, produção de concentrado e capacidade de enriquecimento, e as únicas tabelas com "conversion" no documento são fatores de conversão energética (Apêndice 5, p. 593). Voltar
  6. Concentração russa e o efeito do boicote. INB, Relatório de Gestão Integrado 2025, p. 11: "A Rússia detém parcela relevante da capacidade global de conversão e enriquecimento, o que gera dependências estratégicas, especialmente na Europa" — qualificação sem percentual, com gráfico de preços cuja fonte declarada é a TradeTech. INB, Relatório Integrado 2022, pp. 46 e 47: o boicote às instalações russas de conversão e enriquecimento gerou escassez de urânio na forma de UF6 natural e na forma enriquecida, e levou à retomada de projetos de conversão nos Estados Unidos. São análises de conjuntura da própria empresa, sem quantificação. Voltar
  7. Ter a mina não é converter. OECD-NEA e IAEA, Uranium 2024 (Red Book), relatório nacional do Níger, p. 415: os concentrados do país são exportados para a instalação de conversão de Malvési, na França — a frase não nomeia o operador. Capítulo sobre o ciclo de combustível, p. 136: a desconversão ocorre na França, e a planta de gestão de caudas da Urenco em Capenhurst, no Reino Unido, entrou em operação em 2021. Relatório nacional da Finlândia, p. 278: conversão, enriquecimento e fabricação são feitos pela TVEL, com fornecimento fechado. Relatório nacional da Bulgária, p. 213: o país adquire elementos combustíveis acabados, sem contratar etapas avulsas. Nenhum desses países deixa de ter usina nuclear por não converter em casa. Voltar
  8. O contrato com a Internexco. INB, notícia de 11 de março de 2025: contrato com a Internexco GmbH, do grupo Rosatom, da Rússia, para exportação temporária para processamento no exterior de até 275.000 kg de concentrado de urânio (U₃O₈) da Unidade de Concentração de Caetité, abrangendo conversão e enriquecimento, com retorno do material como UF6 enriquecido a 4,25% até dezembro de 2027 e destino à fabricação do combustível da central nuclear de Angra dos Reis. Licitação internacional, critério de menor preço global, com pré-requisitos técnicos; a empresa declarou intenção de aumentar a frequência dessas contratações em licitações futuras. Corroboração no Relatório de Gestão Integrado 2025, p. 48. O que não consta: valor do contrato, quantidade efetivamente remetida e processada, instalação onde o processamento físico ocorre, unidades de trabalho separativo contratadas, perdas de processo, e a qual usina de Angra o material se destina. Sobre o embarque: o mesmo comunicado registra que o transporte marítimo internacional do porto de Salvador até a Rússia estava sendo contratado, e que o licenciamento da exportação corria — não há documento público de embarque realizado. Voltar
  9. A conta da necessidade e o custo relativo da etapa. INB, Relatório Integrado 2021, p. 55, tabela "A necessidade/ano do Brasil [...] por recarga": conversão como serviço, em quilogramas de urânio na forma de UF6 — 148.374 para Angra 1, 244.782 para Angra 2, 230.351 para Angra 3, total de 623.507; no cenário de 2050 com dez reatores tipo Angra 2, 2.365.843 kg. Premissas declaradas pela fonte: recarga de número 27 em Angra 1, 17 em Angra 2, média de contrato de longo prazo em Angra 3, e descomissionamento de Angra 1 então previsto para 2022. É premissa de empresa, não medição — e Angra 3 não opera. Na mesma peça, p. 57: "Atualmente, esta etapa é feita totalmente no exterior, pois não há no Brasil instalação com capacidade industrial para a demanda nacional", e a conversão "compreende o segmento com menor participação no custo total de fabricação do ciclo do elemento combustível", sem percentual. P. 36: a instalação de uma Fábrica de Conversão nacional seria "estrategicamente importante" com a expansão do enriquecimento. Voltar
  10. A planta experimental do IPEN e seu fechamento. Wilson Center, dossiê "Origens e evolução do programa nuclear brasileiro, 1947–2011": no início dos anos 1980 o Brasil dominava duas tecnologias-chave, incluindo a conversão do yellowcake em hexafluoreto de urânio adequado ao enriquecimento, "graças a uma planta experimental presente no Instituto de Pesquisa Nucleares (IPEN), em São Paulo"; e, mais adiante, o programa nuclear desacelerou com a crise econômica dos anos 1980 e 1990, tendo "a economia fraca contribuído para o fechamento da planta de conversão de UF6 e para a suspensão da construção das duas primeiras usinas (Angra 2 e Angra 3)". As traduções são deste site, a partir do texto em inglês. É narrativa histórica secundária, de instituição de pesquisa: não dá ano do fechamento, não dá capacidade, não descreve a planta como industrial e não atribui o encerramento a fator externo. O comentário na ficha do acervo sobre desenvolvimento de conversão em escala piloto no IPEN tem a mesma base e o mesmo limite. Voltar
  11. O que o Acordo de 1975 cobria e o que a pressão externa mirou. CPDOC/FGV, Atlas Histórico, verbete "Acordo Nuclear Brasil-Alemanha (1975)", de Maria Regina Soares de Lima: o acordo previa, em princípio, "a transferência de equipamentos e de tecnologia para todas as fases do ciclo de produção de energia nuclear", enquanto a lista de cooperação itemiza prospecção, mineração e processamento de minério de urânio, engenharia nuclear e fabricação de equipamentos pesados, serviços de enriquecimento de urânio pelo processo de jato centrífugo, fabricação de combustíveis nucleares e reprocessamento químico dos combustíveis utilizados; conversão não aparece itemizada. O mesmo verbete registra que as pressões norte-americanas se voltaram para suprimir do acordo os itens de tecnologia de enriquecimento e de reprocessamento, e que "nem a Alemanha nem o Brasil cederam". O ensaio do Wilson Center sobre o acordo tem o mesmo recorte: trata de enriquecimento e reprocessamento como os itens contestados, e registra que a cooperação bilateral ficou virtualmente parada no fim dos anos 1970, com custos crescentes e pressão de atores externos. Fontes secundárias, usadas para cronologia e enquadramento. Voltar
  12. O projeto anunciado sem dimensão publicada. INB, Relatório de Gestão 2024, p. 15, seção "Nacionalização da conversão": "Em função de sua importância estratégica, a INB prioriza o projeto para a implantação de uma planta na unidade de Resende, no Rio de Janeiro", para reduzir dependências externas nas etapas críticas do ciclo. A "Matriz de Segmento de Negócio" da p. 12 do mesmo relatório não inclui conversão entre as capacidades declaradas. No Relatório de Gestão Integrado 2025, a relação de endereços e unidades, p. 55, lista a FCN com as unidades de enriquecimento e reconversão, sem unidade de conversão. Nenhum dos documentos publica capacidade prevista, investimento, prazo, fase de licenciamento ou licitação para a FCN – Conversão. Voltar

Todos os números desta página vêm de fonte primária conferida. As séries completas e os limites de cada dado estão nas notas acima; as regras do acervo e os conflitos entre números estão na página de método.